• Repare Quilombo

Editorial: A erva daninha na cidade das flores

O que reparamos:


Morro do Chapéu - Ba - 2021: Imagem/Assessoria Mandato Participativo

As coisas definitivamente não vão bem em Morro do Chapéu. Acontece que, de forma não menos vertiginosa, há uma erva daninha na cidade das flores. No jardim da Rua das Árvores, ela se parece com o girassol, pois se camufla de amarelo, a cor que simboliza o ouro e a prosperidade, porém, o seu cheiro é mesmo o de cravo-de-defunto.


A última má notícia da terra do frio, por exemplo, além de elucidar bem o governo desastroso local, causou revolta na população durante o feriado de Corpus Christi. Para se ter uma ideia, centenas de pessoas do Quilombo de Velame, e também das localidades rurais de Poço Comprido e Alívio, deste município, sobrevivem há meses sem água encanada nas suas torneiras, em plena pandemia da Covid-19.


Como forma de solucionar o problema da falta de água para abastecimento humano nas referidas localidades, o Mandato Participativo, representado pelo vereador Lula do Velame (PC do B), de janeiro a maio de 2021, encaminhou quatro ofícios ao Poder Executivo Municipal. A Associação Comunitária dos Produtores Remanescentes de Quilombo de Velame, também encaminhou três ofícios ao Governo, na esperança de encontrar uma resolução. Entretanto, conforme apurou o Repare Quilombo, nenhum dos ofícios protocolados foram respondidos de maneira eficaz, ou o problema das comunidades, solucionado.


Em outra tentativa, já na manhã desta quinta-feira, 03 de junho, por volta das 11 horas, em reunião no Quilombo de Velame, a população se reuniu com pessoas “competentes” para reivindicar a falta de água. Na ocasião, cópias dos ofícios com “recebido” foram entregues novamente, como prova de que a reivindicação já tinha sido feita anteriormente.


Dessa vez, para quê gavetas?


Os documentos foram rasgados bem ali, na frente de todas as pessoas presentes, pelas mãos da inominável, que é paga (e muito bem paga) para executar a política pública local. No final da tarde, moradores do Quilombo de Velame fizeram um ato pacífico exigindo respeito e água.


Enquanto isso, lembramos mais uma vez da erva daninha. Rasteira, ela se espalha fácil; e no amanhã que é agora, ela costuma ameaçar as terras produtivas dos quilombos morrenses.






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