• Repare Quilombo

Editorial: Morro a facadas

O que reparamos:

Imagem/Reprodução

Quantas? No caso Luzia do Salão, o suficiente para matar. De novo. Quantas? Uma, duas, três... 100 mulheres foram vítimas de feminicídio até o dia 30 de novembro deste ano, apenas no estado da Bahia.


No caso Luzia do Salão, não. Se formos levar em conta os últimos números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), o assassinato de Luzia Firmino da Silva, 38 anos, a “Luzia do Salão”, como era popularmente conhecida, assassinada a facadas, pelo ex-companheiro Erivaldo Oliveira Bispo, 54 anos, no último sábado 19 de dezembro, em Morro do Chapéu, ainda não foi contabilizado pelo órgão.

No caso Luzia do Salão, assim como no caso Tatiane Spitzner, Emanuelle Soares Rodrigues, Luciane Simão, Tatiana Fonseca, dentre tantas outras brasileiras vítimas do feminicídio, o motivo é praticamente o mesmo: ódio ou sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres.


Quantas? De acordo com informações divulgadas pelo segundo monitoramento Um Vírus e Duas Guerras, 497 mulheres foram mortas de março a agosto de 2020, o que corresponde, em média, um feminicídio a cada nove horas no Brasil. Já de acordo com o Mapa da Violência de 2015, última atualização sobre o assunto, o Brasil é considerado o 5° país do mundo com mais casos de feminicídio.

No caso Luzia do Salão, a notícia não nos chegou após o “boa noite” do jornalista William Bonner; de bastante repercussão local, a notícia do feminicídio de Luzia, primeiramente, nos foi compartilhada a partir do boca a boca. Neste caso, a culminância da violência doméstica aconteceu na casa da vizinha.


Diante dessas informações, quantas vezes reparamos no pedido de socorro que ecoa ao nosso lado? Não se trata de “não meter a colher” quando o caso for o de Luzia do Salão, mas, sim, de não se acovardar.


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Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180


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