• Repare Quilombo

Editorial: Na fila e nos dedos de maldosos (as)!

Atualizado: 17 de Mai de 2020

O que reparamos:

Imagem meramente ilustrativa/Arquivo Repare Quilombo

Se for colocar chocalho em quem acorda de madrugada para encarar a fila da Caixa - em busca do Auxílio Emergencial, e em quem perde tempo gravando vídeo, fazendo foto das pessoas na fila e postando nas redes sociais com dor de cotovelo, Morro do Chapéu não terá sossego.


Em tempos de coronavírus, quase tudo tem parado, ou se adaptado. Mas parece que para algumas pessoas, a única mudança que ainda é difícil de ser feita, é a de se colocar no lugar do outro (a).


É de conhecimento de todos, assim esperamos, que o Governo Federal lançou, no último mês, o Auxílio Emergencial, com o objetivo de ajudar trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do coronavírus. Assim, como também deve ser de conhecimento de todos que, nem o Governo Federal e nem a Caixa Econômica, se organizaram de forma eficaz para receber a quantidade de solicitação de benefícios, o que leva a crer, supostamente, que o Governo, dentro da sua caixa, ou melhor, da sua bolha, finge não conhecer o abismo social que existe em nosso país.


Resultado? Filas enormes, desorganizadas, com pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, expostas ao sol, ao inverno, ao frio e a chuva. Sim, porque o clima de Morro do Chapéu, por exemplo, é heterogêneo.


A desigualdade social de Morro do Chapéu, outrora escondida do centro comercial, fora colocada na vitrine, em plena Avenida Joel Modesto. Pasmem! Com um valor mínimo de R$ 600,00 jamais imaginado, pela maioria das pessoas.


Enquanto pessoas se posicionam na fila, vindas, inclusive, de vários povoados do município e de cidades vizinhas, e ficam de pé, por horas, sem se alimentar ou beber água, num sofrimento compreendido por poucos, outras poucas pessoas, só olham a vitrine e apontam o dedo.


O mesmo dedo que aponta é o mesmo dedo que clica em postar, compartilhar, comentar... “meu Deus, esse tanto de gente na fila? Que absurdo! Povo sem noção! Fique em casa”!


“Fique em casa”? Desempregado (a)? Sem dinheiro para comprar o que comer? Ficar em casa sem orientação de como acessar um aplicativo que, sequer, funciona direito? Será que todas as pessoas têm casa para ficar? Ou pelo menos têm água encanada nas suas casas?


Por que as críticas nas redes sociais não são direcionadas com mais veemência à falta de planejamento do Governo Federal e da própria Caixa em orientar as pessoas?


No final das contas, que o tão falado 600 sequer dá para quitá-las, o povo pobre é sempre exposto a situações vexatórias; é sempre quem paga a maior parte da parcela e é sempre o culpado pelas principais dificuldades que o Governo, que se acha elite, não consegue resolver.


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